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Muito além da taça

Durante as últimas semanas, como milhões de pessoas ao redor do mundo, acompanhei a Copa do Mundo de 2026. Assisti a grandes jogos, gols históricos, zebras, comemorações e lágrimas. Mas, em meio a tudo isso, percebi que Deus estava me ensinando algo muito maior do que futebol.


A Copa do Mundo é, sem dúvida, um dos maiores eventos do planeta. Pela primeira vez, 48 seleções disputam o torneio. São mais de 1.200 jogadores convocados, acompanhados por milhares de treinadores, médicos, fisioterapeutas, analistas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais. Somente na organização do evento, cerca de 85 mil pessoas trabalham para que tudo aconteça. Bilhões de dólares são investidos e movimentados para que, ao final, apenas uma seleção levante a taça.


É impressionante pensar que toda essa estrutura existe para um único objetivo: conquistar o maior título do futebol mundial.


Enquanto refletia sobre isso, comecei a perceber algumas cenas que chamaram minha atenção muito mais do que os próprios resultados.


Depois de uma dura derrota por 7 a 1, jogadores de Curaçao permaneceram em campo cantando louvores e orando juntamente com atletas da Alemanha. Aos olhos do mundo, haviam perdido um jogo. Mas, para eles, Cristo continuava sendo digno da mesma adoração. A derrota não mudou o objeto da sua devoção.


Em outro momento, o alemão Felix Nmecha marcou um gol em uma Copa do Mundo, talvez o sonho de qualquer jogador profissional. No entanto, sua comemoração não chamou atenção para si. Ele se ajoelhou, apontou para o céu e fez um gesto simbólico como quem retira uma coroa da própria cabeça para colocá-la aos pés de Cristo. Em um dos maiores momentos de sua carreira, fez questão de declarar que toda glória pertence ao Senhor.


Também me marcou a postura de Jeremy Doku. Durante a competição, deixou a concentração da seleção para acompanhar o nascimento do seu primeiro filho. Anos antes, em uma entrevista, havia afirmado que possuía fama, dinheiro, família e sucesso, mas que havia uma frase que desejava ouvir acima de qualquer outra: "Muito bem, servo bom e fiel." Sua referência não era um título esportivo, mas as palavras de Jesus em Mateus 25.


Essas cenas me fizeram pensar.


Todos aqueles atletas chegaram onde milhões sonham chegar. Muitos passaram a vida inteira treinando para viver aquele momento. Mas alguns deles pareciam ter entendido que, embora a Copa fosse um objetivo extraordinário, ela não era o propósito final de suas vidas.


E talvez seja justamente aí que exista uma das maiores lições para nós. Todos nós temos objetivos. Alguns desejam crescer profissionalmente. Outros querem formar uma família.


Há quem sonhe com um diploma, uma casa, uma promoção, um ministério frutífero ou uma aposentadoria tranquila.


Não há nada de errado em possuir objetivos. Deus nos criou para trabalhar, planejar e desenvolver os dons que Ele nos concedeu.


O problema começa quando nossos objetivos ocupam o lugar do nosso propósito.


A Bíblia nunca nos ensina que a fama, o sucesso, a estabilidade ou qualquer outra conquista sejam o centro da existência humana. Pelo contrário. Jesus conta, em Mateus 25, a parábola dos talentos e mostra que um dia todos estaremos diante do Senhor para prestar contas daquilo que recebemos.


Naquele dia, Deus não perguntará quantos seguidores tivemos, quanto dinheiro acumulamos ou quantos títulos conquistamos.


A pergunta será muito mais simples e muito mais profunda: "O que você fez com aquilo que Eu coloquei em suas mãos?"


Essa é a pergunta que realmente importa.


Alguns receberam talento para ensinar. Outros para administrar. Alguns para servir. Outros para cantar.

Há quem tenha recebido facilidade para cuidar de pessoas, evangelizar, liderar, aconselhar, construir, estudar ou criar filhos.


Cada talento é diferente, mas o propósito é exatamente o mesmo: glorificar a Cristo.


João Batista resumiu isso em uma única frase: "Importa que Ele cresça e que eu diminua." (João 3.30)

Talvez essa seja a maior diferença entre viver para os nossos objetivos e viver para o propósito de Deus.


Quem vive apenas para seus objetivos usa Deus para alcançar seus sonhos. Quem vive para o propósito usa seus sonhos para glorificar Deus.


  • A Copa do Mundo terminará.

  • Um campeão será coroado.

  • A taça mudará de mãos novamente daqui a alguns anos.

  • Os aplausos passarão.

  • Os recordes serão quebrados.

  • Novos jogadores ocuparão o lugar dos atuais.


Assim acontece com toda glória humana.


Mas existe um dia que não passará. O dia em que estaremos diante do verdadeiro Rei.


Naquele momento, não importará se fomos conhecidos ou anônimos, ricos ou pobres, famosos ou simples. O que fará diferença será termos vivido para Aquele que nos chamou.


Talvez você nunca entre em um estádio lotado. Talvez seu nome nunca apareça na televisão. Talvez ninguém escreva sua história em um livro.


Mas Deus já lhe entregou um campo onde somente você pode jogar.


  • Sua casa.

  • Seu trabalho.

  • Sua igreja.

  • Sua sala de aula.

  • Sua empresa.

  • Sua vizinhança.

  • Sua família.


Ali está o seu campo missionário. Ali estão os talentos que o Senhor colocou em suas mãos. Ali está a oportunidade de fazer Cristo conhecido.


No fim das contas, a maior conquista da vida não será levantar uma taça diante das multidões. Será ouvir, diante do trono de Deus, as palavras que valem mais do que qualquer título que este mundo possa oferecer: "Muito bem, servo bom e fiel." (Mateus 25.21)


Que essa seja a verdadeira ambição do nosso coração. Que todos os nossos objetivos, grandes ou pequenos, existam apenas para servir ao propósito eterno de fazer Cristo conhecido, até o dia em que Ele voltar.

 

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TIAGO IORI É PASTOR NA EQUIPE DA

IGREJA BATISTA INDEPENDENTE

RIBEIRÃO PRETO, SP

CONTATO PELO

WHATSAPP: (16) 98812-3919


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