O ocaso
- Edição JA

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Da aurora aos dias de vigor, da esperança às épocas de peregrino sonhador, da valorização dos segundos até as escolhas erradas feitas perto do meio-dia ao pleno esplendor, de desbravador a encastelado pela vaidade ou pela dor, dos primeiros voos até as primeiras quedas, ... tudo passa. A energia e a neblina parecem intermináveis, mas o ocaso chega para todos.
Toda vida é curta demais e, mesmo que não fosse, ninguém jamais aprenderia tudo que existe. Neste mundo sempre haverá pessoas maiores e outras menores, e felizes seremos se a ninguém nos compararmos. Em meio aos ruídos e viajando, nesta vida, às pressas, encontremos silêncio para sermos tão somente desornados e íntegros.
Sigamos com coragem, preenchendo cada espaço que nos for presenteado de forma digna. Valorizando cada segundo e todas as pessoas que Deus colocar em nossos caminhos. É possível fazer o bem e manter boas relações com muita gente sem precisarmos nos despojar daquilo de que temos convicção; sem mudarmos o que é definido conforme a nossa religião.
Que digam várias vezes que somos muito pacientes, pois sempre será uma grande virtude. Sendo pecadores, falemos mal apenas de nós mesmos, sem nada esquecermos ou escondermos, para o nosso Criador. Ele ama ouvir palavras genuínas dos seus imperfeitos.
Pense muito e sonhe alto, mas que nenhum pensamento seja o seu ídolo e nada daqui seja o seu senhor. O imaginário um dia precisará ficar só, pois todos precisam ser gentis com a própria vida; e certas riquezas ficarão aqui, enquanto as verdadeiras alhures estarão depois da nossa partida.
Se precisar abandone com garbo o passado e, a partir de hoje, construa tudo que foi aparentemente destruído ou quebrado. O entusiasmo pode acabar, mas faça ecoar na eternidade, mais uma vez, a humildade de saber começar.
As coisas simples e essenciais, bem vividas, mudam tudo. Então, aprenda a discernir os momentos onde é preciso ser de verdade, pois isso vale muito mais que qualquer ideia de perfeição. Lembre com prazer de suas conquistas, mas não deixe de enxergar as muitas outras coisas primordiais que existem.
Acorde respirando gratidão, trabalhe laboriosamente e durma em paz, sabendo que perdoou e amou a todos que que hoje ainda estavam por aqui esperando pelo seu grande coração.
Observe tudo, mas deseje experimentar apenas o que é lídimo. Muitos amam praticar o mal e as injustiças, mas o cúmulo de egoísmo e do orgulho segue definitivamente rumo ao túmulo.
Um bom vislumbre de tudo que existe e as portas douradas na infância e os anos de esplendor da juventude já ficaram para trás. Mas ainda podemos continuar semeando e colhendo no ocaso. Sejamos agora homens que ganham novos dias com propósitos. Que não seja a falta de tempo e nem de temor que nos roubem a coragem. Mesmo cansados continuemos a ser o que somos.
Ainda que possamos estar enfraquecidos, sigamos firmes com maturidade ao que fomos chamados. Uma não rendição a dias doloridos e atribulados nos levará a grandes dias de alegria. As misericórdias do Senhor, que se renovam a cada manhã, servem para nos expandir um pouco mais e nos lembrar que devemos beber desta vida passageira até a última gota. Pois somos pequenos inúteis que decidiram não parar de aprender, crescer e florescer.
Acordar é sempre uma nova oportunidade de estar mais perto do Senhor do que ontem. Há sempre mais um horizonte para uma vida de grandes experiências, para quem tem um grande Mestre. Na juventude sempre havia mais de um caminho, inclusive agora, porém, diferente de antes, já sabemos por onde peregrinar.
Então descanse sempre que for preciso, mas se levante e nunca desista. Já acordamos, agora chegou a hora agir e deixarmos um grande legado para os próximos forasteiros.
E a felicidade? Aqui, ela não é um lugar aonde se chega, é como se vai e o que inquietamente desejamos nos tornar como verdadeiros viajantes. Você entenderá a partir do momento em que as aragens celestiais no seu rosto tocar. Saberemos o que ela é depois de viajarmos muito, em tão pouco tempo, e chegarmos ao Lar. Mesmo no ocaso, tão somente deixe que o santo sopro infle o seu peito e vá. Desfrute da vida como se fosse sempre a última oportunidade de embarcar.
Alessandro Monteiro
Um dos autores do livro “A vida não é isso”.
Manaus (AM), 25 de julho de 2026.
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