CONSTRUTORES DE MUROS: VOLTA A AUTORIDADE DA ESCRITURA
Finalizamos o texto anterior com uma oração. “Ó Deus, que choremos vendo o estado de ruína em que se encontra a nova geração e que, com oração e jejum, trabalhemos com a mesma disposição demonstrada por Neemias, levantando muros, não físicos para a proteção de uma cidade, mas muros espirituais, para a proteção de uma geração que brevemente ocupará todos os postos da sociedade”.
O AFASTAMENTO DA PALAVRA DE DEUS
Ao longo da história da igreja, a negligência no ensino da Palavra de Deus aos filhos, aliada à aceitação de ideias (ideologias) populares, mundanas, religiosas e mesmo diabólicas, tem sido a causa principal do afastamento das novas gerações da verdade de Deus, conforme estabelecida na Escritura Sagrada.
Em cada época, a existência de uma liderança irresponsável tem sido uma tragédia. O Senhor Jesus alertou sobre o surgimento de falsos profetas (veja Mateus 24.23-26). Há também uma palavra de alerta impactante do apóstolo Paulo ao despedir-se dos líderes da igreja em Éfeso, onde estivera servindo e ensinando. Paulo afirmou: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho no qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Eu sei que, depois da minha partida, aparecerão no meio de vocês lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. E que até mesmo entre vocês se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás de si. Portanto, vigiem, lembrando que, durante três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, cada um de vocês. Agora, pois, eu os entrego aos cuidados de Deus e à palavra da sua graça, que tem poder para edificá-los e dar herança entre todos os que são santificados” (Atos 20.28-31).
O que fazer diante destes alertas? Paulo deu preciosa orientação: "Agora, pois, eu os entrego aos cuidados de Deus e à palavra da sua graça, que tem poder para edificá-los..." (Atos 20.32). Quão fundamental é a Palavra de Deus. E o Senhor Jesus no texto indicado acima, faz esta afirmação inquestionável: "Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão" (Mateus 24.35). Que nunca sejamos conduzidos por palavras de quem quer que seja, e sim pela Escritura Sagrada, porque "toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2 Timóteo 3.16,17).
Líderes corrompidos e desviados do padrão estabelecido por Deus em Sua palavra ficam incapacitados para orientar os fiéis nas questões éticas, morais, sociais e espirituais. Eles assimilam conceitos religiosos contrários ao ensino da Bíblia. Esta assimilação é chamada de sincretismo religioso. Isto torna-se uma real abominação diante de Deus, e surgem as diversas religiões, inclusive chamadas de cristãs, mas com aceitação de conceitos, doutrinas e ideias que não tem o respaldo da Bíblia.
Os profetas bíblicos denunciaram e alertaram sobre este problema de sincretismo, que sempre acompanhou o povo de Israel e de Judá. Veja esta palavra do profeta Sofonias: “Estenderei a mão contra Judá e contra todos os moradores de Jerusalém. Exterminarei deste lugar o resto de Baal e a lembrança dos ministros dos ídolos e seus sacerdotes. Exterminarei os que sobre os terraços adoram o exército do céu e os que adoram o Senhor e juram por ele e também por Milcom. Farei desaparecer também os que deixam de seguir o Senhor e os que não buscam o Senhor, nem perguntam por ele” (Sofonias 1.4-6).
Não é uma tristeza imensa verificar que há igrejas, consideradas cristãs, em que a idolatria é praticada? Em muitos países, que são hoje chamados de países “cristãos”, cidades e mais cidades têm as suas principais festividades associadas a algum ídolo, que ali é venerado. Uma triste realidade é que as crianças, geralmente, são envolvidas nessas festividades.
O que de fato ocorreu é que, passo a passo, as pessoas se aproximaram de afirmações tidas como verdadeiras (as tão conhecidas “fake news”), mas que não estão em conformidade com a Bíblia e, sim, com o que se classifica hoje como a Tradição (as narrativas) da Igreja. Surgiu uma cristandade (uma igreja) firmada na tradição e não na Bíblia. Os muros da fidelidade à Palavra de Deus foram abalados.
REFORMA PROTESTANTE - UMA VOLTA À AUTORIDADE DA BÍBLIA
Na época em que Marinho Lutero viveu, os muros estavam desmoronados. Embora muitos outros homens de Deus já se tivessem apercebido e lutado contra aquela situação caótica, Lutero teve uma importância extraordinária, por sua coragem ao enfrentar o poder religioso do Romanismo, lançando os fundamentos para erguer o “muro”, que ficou conhecido como a Reforma Protestante, na verdade uma volta à autoridade da Bíblia.
Entre as várias preocupações de Lutero, é interessante destacar seu interesse pelas crianças e a importância que ele deu ao ensino da Palavra de Deus aos pequeninos. É dele uma frase bem desafiadora: “Ninguém deveria tornar-se pai a menos que seja capaz de instruir os seus filhos nos Dez Mandamentos e nos Evangelhos, e que, antes de tudo, deseje que os seus filhos sejam instruídos nas realidades espirituais.”
Já examinamos anteriormente alguns textos no Antigo Testamento que deixam bem claro que esta negligência dos pais em obedecer a Deus, ensinando as realidades espirituais aos seus filhos, foi o grande pecado que o povo de Israel cometeu. As gerações que foram surgindo não sabiam quem era o Senhor, nem o Seu poder e nem as Suas maravilhas. Uma verdadeira tragédia! E os muros ficaram caídos.
O plano de Deus para as crianças sempre foi que tivessem pais e famílias que construíssem muros seguros para protegê-las. Sim, com paredes seguras de devoção e de amor ao Senhor, com paredes seguras de ensino dos princípios eternos. Veja bem que Moisés, falando aos israelitas que estavam prestes a entrar na Terra Prometida, após deixar bem claros os dez mandamentos do Senhor, transmitiu-lhes a ordem de Deus: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Deuteronômio 6.6, 7).
Instruir os filhos nos Dez Mandamentos, como disse Lutero, é construir um muro sobre um alicerce sólido. Papais e mamães: saber edificar esses muros na vida de seus filhos é o mais prioritário dos deveres. Ninguém deveria tornar-se pai a menos que seja capaz de instruir os seus filhos nos Dez Mandamentos e nos Evangelhos, e que, antes de tudo, deseje que os seus filhos sejam instruídos nas realidades espirituais.
Não deixe de ler a continuação no próximo texto.
Pr. Gilberto Celeti
Missionário da APEC, professor, palestrante e escritor
________________________
O Jornal de Apoio faz parte do
Projeto CAAD com o Pr. Carlos A. Moraes.
CONHEÇA OS PROJETOS AMI
LEIA TODAS AS MATÉRIA DO JORNAL DE APOIO
ENTRANDO EM UM DOS GRUPOS
CLIQUE NO LINK ABAIXO:





Comentários