Conte as Bençãos
- Alessandro Monteiro

- há 2 dias
- 3 min de leitura
Atualizado: há 1 dia

Há momentos da vida em que parece que estamos sozinhos e Deus em pleno silêncio. Ou seria a nossa memória frágil e breve demais? Porque, depois que tudo passa, a certeza que temos é que Ele sempre esteve lá. Antes de o percebermos, Ele já nos via. As estações estão sempre mudando, mas o Deus das estações nunca muda.
Mesmo que Deus não esteja nos dando ou respondendo às nossas orações como gostaríamos, tudo o que já nos foi dado no passado vale muito mais, e já valeu esta vida. Não devemos medir esta jornada passageira pelo que falta, mas pelo que já nos foi concedido, sem nunca termos merecido.
O passado ainda pode trazer um pouco de peso e dor, mas é ele que prova a fidelidade do nosso Criador. Jamais esqueçamos que tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que ele fez desde o princípio até ao fim (Eclesiastes 3.11).
Quantas vezes Ele apareceu na última hora, ou na melhor hora, quando achávamos que tudo estava perdido? Quantas portas improváveis nos foram abertas para nos sustentar, e quantas foram fechadas para nos proteger? Quantos livramentos nos foram dados?
Não poderíamos contar, ainda que tentássemos, mas podemos dizer: Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio (Salmos 90.12). Podemos em tudo dar graças, pois esta é a vontade de quem nos ama além do que possamos imaginar (1 Tessalonicenses 5.18).
As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a sua fidelidade (Lamentações 3.22-23). Pequena é a nossa memória e pouco lembramos daquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós (Efésios 3.20). Daquele que sempre nos dá muito além do que merecemos.
Ele é fiel, mas a nossa memória, não. Nele, e somente nele, vivemos, nos movemos e existimos. Ele está em tudo, em toda parte. Lembremo-nos de que Ele também habita no simples e se revela nos detalhes. Os nossos dias simples e normais estão contidos em infinitos milagres repetidos. Contentemo-nos com o que temos, porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei (Hebreus 13.5).
A cada dia, permaneçamos com um coração grato, pois sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8.28).
Somos ingratos por esquecimento, mas a graça sempre será maior do que as bênçãos que conseguimos lembrar e contar. A fidelidade do nosso Deus é maior que qualquer cardinalidade que possamos registrar.
Recordemo-nos de todo o caminho pelo qual o Senhor, nosso Deus, nos guiou pelo deserto ao longo de todos estes anos, para nos humilhar, para nos provar, para saber o que estava no nosso coração, se guardaríamos ou não os seus mandamentos (Deuteronômio 8.2).
Não conseguimos terminar de contar, mas não devemos jamais parar de contar. E, mesmo sem ver, podemos ser mais intencionais e viver como se todas as bênçãos já estivessem diante de nós. Lembremo-nos mais e peçamos menos, pois lembrar pode mudar tudo.
Que Deus nos dê sabedoria para contar as suas bênçãos. Que, em uma alma cansada de pedir, nasça também um coração cheio de gratidão, com o desejo de testemunhar os muitos milagres já vividos aqui.
São muitas, Senhor, Deus meu, as maravilhas que tens operado e também os teus desígnios para conosco; ninguém há que se possa igualar contigo. Eu quisera anunciá-los e deles falar, mas são mais do que se pode contar (Salmos 40.5). Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios (Salmos 103.2).
Uma, duas, três… até o infinito. Eu ficaria sem números antes de conseguir agradecer ao Senhor por tudo. Obrigado, obrigado, obrigado, pois ainda estou contando as tuas bênçãos (Counting My Blessings, Seph Schlueter).
Alessandro Monteiro,
Manaus, AM
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