Sobre a queda de um pastor
Nada do que se possa dizer é receita, pois não há especialistas neste assunto. Este é um campo no qual o médico facilmente morre do mau que tratou. Não é o caso de se atirar a primeira pedra, mas saber que a qualquer instante se está sujeito a ser apedrejado e que irá doer.
Dói na esposa, nos filhos, no pai, na mãe, nos irmãos, dói na igreja, dói em quem estava quase conseguindo se afastar daqueles que vivem no erro. E se há alguém sob mira, ele certamente é um, pois quando cai o pastor, o inimigo faz um strike. Frustração, desilusão, desconfiança, difamação, calúnia, abandono... a igreja sangra.
Portanto é saudável lembrar constantemente a si mesmo que é fraco, tem o coração pervertido, olhos que cobiçam, pensamentos e desejos contaminados num mundo que se insinua sob o olhar atento do algoz que está pronto para ajudar a fazer e depois se deliciar em maldizer.
Paulo alertou quanto ao perigo da incontinência e disse que é preciso manter em dia a intimidade com a esposa. Instantes de intenso e ilícito prazer nunca compensarão as angústias das consequências do pecado.
Então ver a si mesmo como é, fraco, o pior dos pecadores e com o agravante de que num vacilo a vaca vai pro brejo, nada mais é do que ser realista. Por isso cabe pedir sempre que o Senhor o salve de si mesmo. É um miserável, carente de misericórdia e deve clamar por isso.
Pois uma vez que caiu, o pastor, seja quem for, não deveria ser mantido na função. O estrago se torna maior quando a igreja fica em segundo plano e se prioriza aquele que caiu.
Amor? Não creio, pois o amor é firme e a disciplina evidencia seriedade com a responsabilidade conferida ao pastor.
Nenhum de nós está livre disto, portanto estejamos conscientes das consequências (anos a fio de dedicação aos estudos e preparação trocados por momentos de prazer), a vergonha, a mácula, a crise.
Mas se, por corporativismo, "amor", forem afrouxadas as medidas necessárias, poderá haver muito remorso, pouco arrependimento e reincidências que minarão ainda mais a confiança na figura do pastor e da própria igreja.
Talvez seja a forma errada de lidar com problemas como este uma das causas da queda na credibilidade de ambos.
Pastor não é gato, não tem sete vidas. Como um espelho quebrado, após a queda nunca será a mesma coisa se insistir em seguir adiante. "Assim, aquele que considera estar de pé, cuide‑se para que não caia!"
A graça é a mesma para qualquer pecador, há perdão, mas para o ministério (ainda que nenhum homem possa se julgar digno para tal) aquele que caiu sentirá a própria inadequação.
Pr. José Soares Filho





Excelente artigo com boas ilustrações.
Mas continuo acreditando que “Há mais do que o perdão!”
Não quero cair. Prefiro morrer 10 anos antes.
Mas acredito que restauração é o correto procedimento para o conselheiro Cristão. E uma vez restaurado (não reciclado!) o vaso pode e deve continuar a ser usado.
Que ninguém ouse tirar proveito deste fato.